
Sou
uma pessoa bem-humorada, com uma visão superotimista da vida. A palavra difícil
é rara no meu vocabulário. Gosto de brincar feito criança com a minha filha,
com os meus cachorros; gosto de estar em família e de assistir a desenho
animado. Eu gosto de comer a pipoca salgadinha que o meu marido faz; e de
churrasco bem passado com legumes cozidos na água e sal regados com azeite
extra virgem. Como sou cinéfila, a lista de preferidos é grande – lembro de ter
ido muitas vezes sozinha ao cinema, porque minha mãe dizia que quem convida tem
de pagar, e eu não podia me dar a esse luxo. Eu gosto de ir ao teatro e acho
incrivelmente incrível o Cirque du Soleil; eu gosto de dançar e não consigo
mesmo ficar parada ao som de Rhythm and blues e da bateria do Salgueiro, o que não signifca que eu goste de carnaval.
Eu também
gosto de ler. Leio de produções filosóficas à HQ, mas não é uma leitura
descompromissada, não; é com marca-texto e lápis em punho. Tistu, o menino do dedo verde
foi o primeiro, quando eu ainda estava nas séries iniciais do Ensino
Fundamental. Como minhas leituras não são descompromissadas, as descobertas de
Tistu, que li àquela época, ajudam-me hoje a fazer a Laís dormir. Nada melhor
do que ouvir a história do menino que mora numa grande casa – a Casa-que-brilha
– que fica na cidade de Mirapólvora, que virou Miraflores.
Machado
de Assis e Clarice Lispector foram por imposição, mas Eça de Queirós, Aluísio
Azevedo, Guimarães Rosa, C S Lewis, John Maxwell, Marilena Chauí e Paulo Freire, por admiração. A Palavra de Deus
é amor intrínseco, é regra de conduta para a sobrevivência.
Voltando,
eu gosto de amarelo, do número 7 e da discrição. Eu gosto de conversar... sobre
tudo, desde o que acontece no reality show à cena final do filme Infidelidade,
com Richard Gare e Diane Lane. Um pulo entre o que se pode comprovar com os
olhos e o subjetivismo justificado em pistas sutis.
Eu
gosto da justiça; da fala sincera e sem rodeios, porque eu acredito que a
mentira é uma arma perigosíssima, também acredito na máxima “colhemos o que
plantamos”.
Eu
gosto de animais. Eu gosto de plantas. Eu gosto de CSI Las Vegas e de House.
Também já gostei de Vila Sésamo, do Sítio do Pica-pau Amarelo, da Super Vicky,
do Barco da Lucie, da Ilha da fantasia, de Magnum, de Casal 20, das Aventuras
de Daniel Boone, de Viagem ao fundo do mar e do Poderoso Benson. Também já
gostei de Domingo no parque, de Qual é a música, de Roletrando e do Cassino do
Chacrinha. Também gostei do seminário Literatura e Jornalismo, na Academia
Brasileira de Letras, e do congresso Escritores de Língua Portuguesa,
especificamente da fala do acadêmico, professor
Domício Proença Filho.
Eu
acredito no sobrenatural e no que aconteceu naquele que se transformou em Domingo de Páscoa. Eu sei de
onde vim, quem eu sou, em quem eu creio, onde estou e onde quero chegar. Eu
aprendi, desde tenra idade, a vencer os meus medos e a resolver os meus
problemas. Sim, eu tenho problemas, eu venço problemas, eu derrubo gigantes. Hoje
sei que as aflições pelas quais já passei não foram à toa, ou sem propósito. Nada
é sem propósito.
Bem,
acho que posso resumir dizendo que sou essa mistura posta de frivolidade e circunspecção
(ou fechada, como costumam me dizer). Por causa dessa mistura – que considero bem dosada –, eu consigo sair de C S Lewis e partir
para Maurício de Sousa sem problemas. Eu rio fácil, eu choro fácil. Sou capaz
de roubar o tempo do meu interlocutor da mesma forma que sou de ficar calada ou
simplesmente na minha. De acordo com a consciência que recebo de Cristo, eu
vivo a plenitude do meu ser, ou seja, se posso chorar, eu choro; se posso rir,
eu rio; se posso gargalhar, eu gargalho; se posso ir, eu vou; se posso ficar,
eu fico; se posso calar, eu calo; se posso falar, eu falo; se posso dançar, eu
danço; se posso cantar, eu canto. Daí, enquanto escrevia estas linhas, consegui
entender os que têm uma visão inverossímil de mim. Talvez eles tenham
desfrutado de só uma parte da minha pessoa, e não deram a eles, ou a mim, uma
nova oportunidade.
Ah, já
ia esquecendo de dizer que às vezes sou chatinha, por causa da minha mania de
ser didática e perfeccionista, mas no geral sou gente muito boa e generosa e
companheira. Por fim, eu sou casada com o homem que eu amo, sou mãe de uma
menina linda, inteligente e esperta (sou mãe coruja assumida) sou professora de
Língua portuguesa por formação – minhas brincadeiras de boneca acabavam comigo
dando aula pra elas (que loucura!) – sou uma pessoa apaixonada pelo conhecimento,
pela cultura, pelas artes, pelas letras, pela palavra escrita e combino muito bem com
todas estas coisas.
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