Não, eu não sei... não com exatidão. Sinceramente, eu não consigo entender. Eu penso, repenso e a única coisa que consigo são conjecturas; tentativas frívolas de entender o porquê estas coisas acontecem. Respostas concretas sobre isto não tenho nenhuma. Aceitar, então, não consigo sem a ajuda dEle. Acho que as coisas tomaram esta proporção para mim porque eu estava mesmo gostando dela. Sentimento verdadeiro, sincero, como eu acredito que devam ser as coisas em um relacionamento como o nosso.
Foi chegando sorrateira, eu não notei a sua intenção; depois se instalou. Eu deixei... Hoje chego a pensar que ela me manipulou, e eu deixei... Deixei muitas coisas... inclusive que ela me desviasse do meu caminho certeiro. Se fez isto de caso pensado, premeditadamente? Pelo tom de voz que usou, pela postura que adotou, eu acredito que sim, chego a ter certeza.
Tinha interesses que eu desconhecia, daí levou vantagem. Apesar de saber que os seres humanos são capazes de coisas incompreensíveis como aquela, eu não me preparei para o que ela fez. Foi coisa que eu não admito, mesmo.
Ela colaborou com um dos meus maiores inimigos, mancomunou-se com ele e foi agindo... Sempre solícita e carinhosa, exímia dissimulada. Também não me preparei para aqueles dias que vieram depois (foram dias de choro doído e de angústia). Em um relacionamento como o nosso, é comum as pessoas se prepararem para coisas boas, como lealdade, sorrisos largos, companheirismo, cumplicidade, solidariedade, amor e não desilusão.
Pois é... Desilusão, um desapontamento profundo, uma decepção na alma, um sentimento de descrença na capacidade do amar sincero do ser humano. Ela, que me jurava afeição, admiração e devoção, fez o que fez. Porém, após esta viagem de 1 quilômetro a 60 por hora, chego à conclusão de que a culpa não foi dela, mas minha que a deixei ir longe demais.
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