Parecia ter uns dois anos, não mais que isto. Meus estudos anteriores me ajudaram a chegar a esta conclusão. Mas isso é o que menos nos importa agora. Precisava ficar assim, quietinho, primeiro porque não falava; segundo porque o som que saía de sua pequena boca poderia denunciar a sua presença e os outros o colocariam para fora. Teriam, inclusive, o apoio da Lei se agissem desta maneira.
A cabine da polícia em frente ao mercado popular, que fica na próxima esquina, seria o lugar adequado para isso. Lá, certamente os canas saberiam o que fazer.
Dos lugares vazios que havia no coletivo, ela preferiu o que estava bem próximo a mim. Sentou ali e o pôs no colo. Ora um biscoito, ora um pedaço de pão adormecido... Ela oferecia a ele com muito carinho e cuidado para não machucar os dedos, e a cada recusa manifestada por ele, ela os comia. Nem a bala de caramelo se lhe escapou. Nauseados ficávamos nós, não ela. Ela, com muita calma e naturalidade, comia tudo o que ele recusava, sem nenhum pudor.
Todos achavam aquela atitude inadequada. Na verdade, a cena toda era esquisita. De repente, ela se virou para mim e perguntou:
– Os olhos dele não são lindos? Eu, tomada de surpresa e sem poder formular outra resposta, disse ironicamente:
– É, parecem até olhos de gato.
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| Tadinho! |
– Ué, mas ele é um gato!

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