LI E GOSTEI

“Quem tem amor e tem calma, tem calma... Não tem amor...”
A. Tavares

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

EU ERA APAIXONADA


Uma diva linda e muito talentosa
Quando fiquei sabendo que ela havia partido, não acreditei (mesmo). Se fosse antes, naqueles momentos em que a vi transfigurada por causa do efeito do uso das drogas pesadas, eu receberia a notícia sem muitas conjecturas. Mas agora, que ela parecia tão bem... não entendi.
Ela começou a fazer parte da minha história numa época em que eu vivia momentos de imprecisão amorosa, quando definitivamente  um ia dando lugar ao outro. As coisas que ela cantava com aquela voz inconfundível  foram acariciando as minhas decisões.  O que vi entre ela e o guarda-costas também teve importância singular. Os dilemas que viveram, antes de se renderem um ao outro, e as restrições impostas, por eles mesmos, eram, de certa forma, parecidos com os que eu havia criado. Ele e ela viviam lados opostos da mesma moeda... nós, também.
Era ficção, eu sei, mas me parecia muito familiar. E eu era apaixonada pela potência daquela voz, que era ao mesmo tempo suave e aguda. Ele sabia da minha admiração por ela e me deu o long play da trilha sonora do filme. Sim, aquele LP foi o primeiro presente que ele me deu, de uma lista ainda em curso. Puxa... ele foi direto ao ponto. E eu, que já estava entregando os pontos, acabei aceitando o convite para a pizza no final de semana. E com o empurrãozinho dela, estamos juntos há mais de 15 anos!

Por isso, eu me acho no direito de  considerar um absurdo o que aconteceu com ela: sobreviver ao estrago provocado pelo crack, pela heroína e cia. para ser vencida por um relaxante banho de banheira.

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