LI E GOSTEI

“Quem tem amor e tem calma, tem calma... Não tem amor...”
A. Tavares

segunda-feira, 18 de junho de 2012

EU FIQUEI COM PENA DO PAULO

Sabe aquelas cenas de novela, ou de filme, em que uma pessoa precisa esbofetear o rosto da outra, para trazê-la de volta à realidade? Para causar efeito semelhante, eu costumo dizer a mim mesma que não se pode ter pena de homem. Sem saber exatamente a partir de quando nem por que, eu desenvolvi esta técnica para me esbofetear o rosto quando as circunstâncias vão me empurrando para o perigo que é sentir pena de homem. Mas quer saber, hoje eu fiquei com pena do Paulo!

Ela estava sentada atrás de mim, com uma menina no colo. Em certa parte da conversa, ela disse o nome da filha, mas eu, obviamente, não vou incluí-lo aqui. A idade eu posso falar: 2 aninhos. Vou dizer a idade da menina só para acrescentar que, por um momento, eu pensei: Puxa, a bichinha tão pequenininha já ouvindo a mãe mandando ver nos palavrões tão efusivamente...

Ela estava mesmo indignada. A amiga, do jeito que falava dela estava mais para inimiga, tinha aprontado feio com ela; dito para terceiros coisas que ela não admitia. Ela me pareceu uma mulher bastante decidida, direta, daquelas que não levam desaforo para casa e tiram satisfação. E ela estava doida para encontrar a tal amiga e botar em pratos limpos aquele desafeto. Sabe aquelas mulheres que a gente olha e pensa: Ih, é melhor nem falar nada, porque senão ela vai fazer o maior barraco. Esta análise rápida que fiz dela, me manteve virada para frente, mesmo querendo muito olhar para trás e ver a fisionomia das três. Em vez disso, coloquei o fone no ouvido, e busquei refúgio no suingue do Neo-yo.
Eu bem que tentei não participar daquela conversa, mas o tom era alto, uma conversa tensa para acontecer em um coletivo, às 7 horas da manhã de uma segunda-feira. Eu não tive alternativa a não ser facilitar para que o meu cérebro administrasse as informações auditivas que vinham do desabafo dela e da música Miss Independent.

Aquela – motivo da conversa e da aparente indignação da minha amiga de viagem – era ingrata, protegia a sogra e a cunhada, enquanto cuspia no prato de quem a auxiliava e tratava bem. Porém, o que mais indignava aquela que me incomodava enquanto eu tentava ouvir One in a million, que chegava pelo meu fone de ouvido, era o fato de ela só ter olhos para o marido. Um homem que, segundo ela, era um canalha, um aproveitador que enchia a mulher idiota (palavras dela) de chifres.
Para piorar o humor daquela que se intrometia entre mim e Champagne life, esse homem, apesar de mau-caráter, era amado, bancado e tratado como se fosse o único homem do mundo. Depois de desferir alguns elogios para o casal de amigos traíra, com toda a raiva do mundo ela largou esta: “Todo mundo sabe, inclusive ela, que o Fulano a enche de chifres. Bancadora de homem galinha! O Paulo que faça uma dessas comigo, que ele vai ver duas quentes e cinco fervendo”.

Depois de ter dito isto, ela se levantou, pegou a criança, puxou a cigarra e desceu. Dei uma olhadinha pela janela e pude vê-las na calçada. E cara, na boa, eu fiquei com pena do Paulo!

Se ele vacilar com ela hoje...L

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