LI E GOSTEI

“Quem tem amor e tem calma, tem calma... Não tem amor...”
A. Tavares

terça-feira, 21 de agosto de 2012

REVÉS


Eu estava lendo um texto lindo quando me deparei com esta frase: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer”. Enquanto eu lia este texto, comecei a pensar sobre a antítese que envolve as duas palavras-chaves desta frase: choro e noite.
A primeira coisa que nos vem à mente quando falamos em choro é tristeza e dor. Por um momento, ou muitos momentos, parece que esquecemos que o choro também representa alegria, realização, satisfação... Sim, como o choro de alegria ao ver pela primeira vez o filho esperado durante nove meses; o choro que acompanha a vibração ao ver o nome na lista dos aprovados no vestibular ou no concurso público; ou aquele choro que sucede ao suspiro aliviado do aumento salarial...
A escuridão, que é sinônimo da noite, por um momento, ou muitos momentos, sufoca o prazer que sentimos quando ela vem e nos proporciona, por exemplo, retornar para casa depois de alguns pares de exaustivas horas no trabalho, longe das quinquilharias que nos conferem identidade, e, principalmente, longe daqueles a quem amamos. A noite nos proporciona voltar para eles, pequeninos que nos esperam ansiosos na creche, na casa da avó, da tia, da vizinha, da amiga, ou no próprio sofá da sala.
Aquela sensação de trevas que envolve este momento sombrio do dia também parece sufocar a gostosura que é poder deitar a cabeça em um travesseiro macio e dormir um sono ferrado, reconstituinte, para começar tudo de novo, na alegria exuberante que é poder ver a manhã.

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